domingo, 31 de maio de 2026

Cultura de Conquista em pauta: artistas unem forças para definir rumo da Cultura na cidade.

A mobilização da classe artística e cultural de Vitória da Conquista culminou na criação de um documento robusto que promete nortear as ações e políticas para o setor nos próximos anos. Segundo participantes dos encontros, cuja culminância ocorreu no dia 16 de outubro, o principal objetivo é garantir que as necessidades e visões de quem faz a cultura sejam ouvidas e transformadas em políticas públicas efetivas.

Por dirlei bonfim bonfim

Compreendamos… Afinal o que é Cultura…? É um conjunto complexo de costumes, crenças, valores, conhecimentos, hábitos, artes e leis que são aprendidos e transmitidos por uma sociedade ao longo do tempo. Ela molda a maneira como as pessoas veem o mundo, se comportam e interagem, indo além da biologia e influenciando desde a alimentação até a política. A cultura de massa, também chamada de “cultura pop”, é o produto da indústria cultural e refere-se ao conjunto de ideias, valores e produtos culturais, como livros, filmes, teatro, música ou qualquer outra manifestação artística, produzidos e disseminados em larga escala para atender a uma ampla audiência e demandas capitalistas.

Não se busca o pensamento, mas a visibilidade; não se incentiva a criação, mas o consumo. É a estetização da política e a espetacularização da cultura. A quem interessa o caos senão àqueles que, em condições normais, jamais seriam aceitos como referência de seriedade, honestidade política e competência intelectual? Por essas bandas do sertão baiano, o que se vê é a carência deliberada de pensamento crítico, substituído pelo simulacro de prestígio e poder — um sintoma da barbárie.

A cultura, assim, torna-se refém daquilo que Guy Debord, em A Sociedade do Espetáculo (1967), denominou de“representação total da vida social”: tudo o que era vivido se transforma em imagem, e o espetáculo torna-se o principal mecanismo de dominação. Não se busca o pensamento, mas a visibilidade; não se incentivaa criação, mas o consumo. É a estetização da política e a espetacularização da cultura. A quem interessao caos senão àqueles que, em condições normais, jamais seriam aceitos como referência de seriedade,honestidade política e competência intelectual? Por essas bandas do sertão baiano, o que se vê é a carência deliberada de pensamento crítico, substituído pelo simulacro de prestígio e poder — um sintoma da barbárie cultural que Adorno identificava como efeito direto da mercantilização da arte.

Cultura de massa, é caracterizada pela sua produção industrializada, facilidade de acesso e consumo, visando à homogeneização dos gostos e preferências do público. Alguns exemplos incluem músicas pop, filmes de Hollywood e programas de TV populares, que são consumidos globalmente, transcendendo fronteiras culturais e sociais.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS E ANÁLISES DO PROCESSO CULTURAL :

Aprendida e transmitida: A cultura não é inata, mas sim adquirida através do aprendizado social, seja pela família, escola ou outras instituições. Ela é passada de geração para geração, sendo um processo cumulativo. Abrangente: A cultura engloba todas as expressões humanas, não se limitando apenas às artes ou manifestações “eruditas”. Isso inclui: Cultura material: Objetos tangíveis, como artefatos, monumentos, vestuário e ferramentas.

Cultura imaterial: Aspectos não físicos, como a língua, as crenças, os mitos, os rituais, as leis, a moral e os hábitos. Dinâmica e transformadora: A cultura não é estática; ela está em constante mudança, incorporando novos elementos e se transformando ao longo do tempo, especialmente quando diferentes culturas entram em contato (processo chamado de aculturação). Adaptativa: A cultura é um mecanismo que permite aos seres humanos se adaptarem ao meio em que vivem, modificando seus hábitos para melhor se ajustarem e sobreviverem. Construidora de visão de mundo: A cultura funciona como uma “lente” que influencia como as pessoas percebem a realidade, o certo e o errado, o bom e o mal. Isso pode levar ao etnocentrismo, que é o uso da própria cultura como padrão para julgar outras. Cultura de massa, portanto, se refere ao processo de mercantilização da cultura por parte da indústria. A arte torna-se um produto, uma mercadoria a ser comercializada. Na sociologia, a cultura de massas e a indústria cultural foram alvo dos estudos dos filósofos e sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer. Para Marcuse (2010), a cultura é um conjunto de ideais morais, estéticos e intelectuais que servem para a humanização social, mas que, em sua sociedade, se torna um instrumento de dominação. Adorno e Horkheimer veem a cultura como a “Indústria Cultural”, um sistema que produz bens culturais (como filmes e música) como mercadorias padronizadas para lucro e controle social, alienando as pessoas e destruindo a verdadeira arte. Habermas, por outro lado, foca na comunicação, vendo a cultura como a esfera da comunicação pública e da ação social, onde a crítica e o consenso podem ser construídos por meio de um diálogo racional, apesar de suas análises sobre a manipulação da mídia em relação ao Estado e ao mercado. Organização social: A cultura estabelece normas e valores que guiam o comportamento, tanto individual quanto coletivo, e integra as pessoas por meio de práticas e relações comuns. Formação de identidade: A cultura é crucial para a formação da identidade, pois ajuda as pessoas a se perceberem como parte de um grupo com tradições e memórias próprias. Construção de significado: Ela é o meio pelo qual as pessoas dão sentido ao mundo, à sua existência e às suas experiências, através de símbolos, linguagens, rituais e conhecimentos. Transmissão e perpetuação: A cultura é passada de geração em geração por meio da comunicação e da imitação, representando o patrimônio social de um grupo. Manifestação e expressão: Inclui as diversas manifestações de um povo, como arte, música, culinária, religião, língua, arquitetura e costumes, que expressam a visão de mundo desse grupo.

Em todo processo há avanços, e retrocessos na cultura não seria diferente, todavia, no caso da secretaria municipal de cultura de v/conquista, desde a sua criação, posso falar sobre isso de forma ampla, pois participamos juntamente com outros companheiros os amigos do (mac)movimento artístico e cultural de vitória da conquista, desde o início desde as primeiras reuniões/discussões sobre a criação da secretaria, que antes, no passado era apenas uma coordenação de cultura. mas, já naquela época, quando fomos as diversas reuniões à câmara de vereadores, discordávamos da forma como foi concebida, imaginávamos que seria possível uma secretaria apenas com a pasta de cultura, quando nos foi apresentado o projeto com o modelo, abrigando além da cultura, esporte, turismo e lazer, protestamos, pois, sabíamos que só o esporte já comportaria uma secretaria específica, outra para o turismo e lazer, juntar tudo isso numa mesma pasta, não daria conta das demandas, como de fato não dá. pela importância cultural, pelo potencial artístico deste município, não se justifica, que nós, não tenhamos políticas públicas bem menores, a cultura quando sabemos que outros municípios bem menores, com orçamentos apertados bem menores do que v/conquista, conseguem fazer um trabalho bem mais potente, participativo, democrático, ético e criativo, com tantos artistas de valores inimagináveis, com toda essa expressão e potencial artístico, deixa muito a desejar, a atenção, o cuidado, o atendimento, com os artistas que temos em todas as áreas, da música, ao teatro do cinema às artes plásticas, da fotografia à literatura, enfim… com tanta representação no cenário cultural baiano ou nacional, nós os artistas plásticos, escritores, atores, músicos, cineastas, fotógrafos, em geral, somos muito mal atentidos pelo poder público municipal, que quando abrem alguma inscrição para participação nos editais, normalmente com recursos oriundos do gov. federal, é como, se estivessem fazendo um grande favor aos artistas. É válido salientar, que eventos culturais, esporádicos, como o são joão, carnaval e natal na praça, não são políticas públicas para a cultura… são eventos passageiros… porque nós não temos um programa de políticas públicas para a cultura, de forma permanente, que pudesse aproximar a comunidade artística em todas as suas competências e habilidades artístico-culturais e levar os projetos para a comunidade em geral o ano inteiro, nos espaços e equipamentos culturais do município. Vivemos um marasmo cultural sem precedentes… dias estranhos esses… há um processo de cerceamento natural, isolamento, ao mesmo tempo falta de incentivo, motivação e uma brutal alienação, patrulhamento ideológico, tudo isso, (nos) incomoda muito… esse silêncio, de não se discutir a cultura, não promover os fóruns, debates, encontros e seminários, além dos projetos com classe artística de forma ética e profissional, tudo isso é no mínimo, muito estranho, antiético, desrespeitoso e profundamente nocivo à classe artística e cultural, até porque os artistas em geral, só querem contribuir.

ANTES DE QUALQUER COISA É IMPORTANTE REGISTRAR QUE NOS ÚLTIMOS ANOS, TODOS OS RECURSOS QUE VIERAM, PARA SEREM OFERECIDOS PARA A CULTURA, FORAM ORIUNDOS DO GOVERNO FEDERAL, ATRAVÉS DAS LEIS ALDIR BLANC – 1, 2 E A LEI PAULO GUSTAVO, A CONTRA-PARTIDA DO MUNICÍPIO, SEMPRE FOI MUITA PEQUENA E INEXPRESSIVA, É SEMPRE VÁLIDO LEMBRAR, QUE NÓS ESTAMOS FALANDO DO 3º.MAIOR MUNICÍPIO DO ESTADO DA BAHIA, QUE TEM UM ORÇAMENTO GIGANTESCO... MAS, PARA A CULTURA, NUNCA TEM RECURSOS (DINHEIRO), OU PELO MENOS, SEMPRE DIZEM QUE NÃO TEM.

ALGUMAS PROPOSTAS PARA CONTRIBUIÇÃO NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO PLANO MUNICIPAL DE CULTURA:

1. TRANSFORMAR O AUDITÓRIO DO CEMAE NUM ESPAÇO CULTURAL COM PAUTA E FOMENTO A APRESENTAÇÕES MUSICAIS E DE OUTRAS ÁREAS DAS ARTES(TODAS AS LINGUAGENS);

  • UTILIZAR O ESPAÇO DAS ESCOLAS MUNICIPAIS RURAIS E URBANAS PARA EXPRESSÕES E OFICINAS DE CULTURA AOS FINS DE SEMANA.
  • CRIAR UMA LEI MUNICIPAL QUE OBRIGUE QUE UM PERCENTUAL DA EXECUÇÃO DE MÚSICAS NAS RÁDIOS LOCAIS SEJA DE ARTISTAS E EXPRESSÕES REGIONAIS

DAR INCENTIVOS FISCAIS (IPTU, ISS) A BARES, RESTAURANTES, POUSADAS, HOTÉIS E

OUTROS ESPAÇOS CULTURAIS QUE INSERIREM MÚSICA AO VIVO EM SUA AGENDA;

  • CRIAR SALAS DE MÚSICA NAS ESCOLAS DA REDE MUNICIPAL, COM AQUISIÇÃO DE

INSTRUMENTOS E INSERÇÃO DA MÚSICA COMO DISCIPLINA;

  • GARANTIR A MEIA ENTRADA DE ARTISTAS EM ATIVIDADES CULTURAIS NOS EVENTOS DA

CIDADE;

  •  CRIAR UM MEMORIAL DA PRODUÇÃO FONOGRÁFICA LOCAL NO ESPAÇO DA CASA RÉGIS

PACHECO ;

  • CRIAR A SALA DO EMPREENDEDOR DA CULTURA, UM ESPAÇO DE PROFISSIONALIZAÇÃO DE MÚSICOS E ARTISTAS COM INCENTIVO A FORMALIZAÇÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO (OFICINAS DE USO DE REDES SOCIAIS, MEI, ELABORAÇÃO DE PROJETOS, PARTICIPAÇÃO EM EDITAIS, ETC) ;
  • BUSCAR POSSIBILIDADES JUNTO A UESB, IFBA E UFBA PARA A CRIAÇÃO DA FACULDADE DE MÚSICA, VISTO QUE MUITOS JOVENS SAEM DE CONQUISTA PARA ESTUDAR EM SALVADOR;
  • GARANTIR QUE AS EXPRESSÕES CULTURAIS DA MÚSICA RURAL COMO TERNOS DE REIS; PILÃO DE AROEIRA, GRUPOS DE MÚSICA AFRO E CAPOEIRA TENHAM INCENTIVOS E APOIOS; NOS EVENTOS PÚBLICOS, ALÉM DO TOMBAMENTO DAS TRADIÇÕES DA MÚSICA RURAL E POPULAR DO MUNICÍPIO;
  • PROJETOS INTINERANTES, QUE POSSAM LEVAR OS ARTISTAS DA MÚSICA, MAS TAMBÉM DE OUTRAS ÁREAS PARA APRESENTAÇÕES NOS AUDITÓRIOS DA ESCOLAS DA REDE MUNCIPAL, ESTADUAL, BEM COMO, OS ESPAÇOS/AUDITÓRIOS DAS FACULDADES E UNIVERSIDADES;

14.RETORNO DOS FESTIVAIS “É POR ISSO QUE EU CANTO”;

  1. FESTIVAL DE MÚSICA JUNINA; ALÉM DESSES, FESTIVAIS DE MÚSICA (MPB), NAS ESCOLAS MUNICIPAIS, PARA PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS E FORMAÇÃO DE PLATÉIA, À BOA MÚSICA;
  2. RESGATE/REFORMA IMEDIATA DOS ESPAÇOS CULTURAIS (TEATRO CARLOS JEHOVAH, CINE MADRIGAL E CASA GLAUBER ROCHA).

PROJETOS DE LEI MUNICIPAIS: VÁRIAS CIDADES TÊM PROJETOS DE LEI PARA IMPLEMENTAR PROGRAMAS DE INCENTIVO À MUSICOTERAPIA. ALGUNS EXEMPLOS INCLUEM:

FEIRA DE SANTANA (BA): APROVOU UM PROGRAMA MUNICIPAL PARA INCENTIVAR O USO DA MUSICOTERAPIA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA.

MARINGÁ (PR): APROVOU UM PROJETO DE LEI QUE GARANTE A UTILIZAÇÃO DA MUSICOTERAPIA COMO FORMA DE TRATAMENTO.

ITAITU (SP): EXISTE UM PROJETO DE LEI PARA INSTITUIR O PLANO MUNICIPAL DE CONSCIENTIZAÇÃO E INCENTIVO À MUSICOTERAPIA COMO TRATAMENTO COMPLEMENTAR PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, SÍNDROMES OU TEA;

LEI QUE CRIA UM PROGRAMA DE USO DO HIP HOP, JAZZ, MPB E MÚSICA CLÁSSICA, COMO FERRAMENTAS DIDÁTICAS E PEDAGÓGICAS DE ENSINO NAS ESCOLAS, PARA OS ESTUDANTES DAS (REDES MUNICIPAL E ESTADUAL).

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